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22 de Junho de 2026
Atividades promovidas pelo PPGES/UnirG e OPTTINS reuniram pesquisadores, estudantes e comunidade indígena em oficinas voltadas à língua, memória, tecnologia e saberes tradicionais.
Professores, pesquisadores, mestrandos, bolsistas e estudantes participaram, nos dias 19 e 20 de junho, de uma programação voltada à educação intercultural e à valorização dos saberes indígenas na Aldeia Boa Esperança, na Ilha do Bananal, território do povo Iny/Javaé. As atividades foram promovidas pelo Grupo de Pesquisa Observatório de Povos Tradicionais do Tocantins - OPTTINS, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação Social - PPGES da Universidade de Gurupi UnirG.
A iniciativa aproximou universidade, escola e comunidade por meio de oficinas educativas, culturais e científicas que abordaram temas como memória coletiva, fortalecimento linguístico, tecnologia educacional, literatura, esporte e matemática, sempre considerando os contextos socioculturais da população indígena.
Entre as ações realizadas esteve a oficina “Resgate Cultural: valorização dos saberes e memórias da comunidade Iny por meio de entrevistas”, coordenada pelo professor do CEM Bom Jesus, Valterlan Araújo, com a participação de estudantes secundaristas. A atividade incentivou o registro de narrativas, histórias de vida e experiências dos moradores da aldeia, contribuindo para a preservação da memória coletiva e para o fortalecimento da identidade cultural por meio da oralidade e do diálogo entre
gerações.
Na área da educação matemática, estudantes participaram da oficina “Bingo Matemático”, que utilizou estratégias lúdicas para estimular a aprendizagem de conceitos matemáticos. A proposta favoreceu a participação dos alunos, desenvolvendo o raciocínio lógico e relacionando os conteúdos escolares à realidade da comunidade.
A programação também contemplou a oficina “Processos de Formação de Palavras e Competência Leitora em Iny Rybè/Javaé”, coordenada pelos professores Matheus Oliveira e Drª Marcilene Araujo. A atividade integra o projeto “Tecnologias Educacionais e Sustentabilidade: jogos bilíngues no letramento Iny Rybè entre estudantes Javaé”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), por meio do Edital nº 003/2025.
Com a participação da bolsista, Isabela Sales Oliveira, do curso de Pedagogia, e da acadêmica de Letras, Vivian Ribeiro Maluf, foram desenvolvidas atividades utilizando jogos digitais produzidos na plataforma Wordwall. Caça-palavras, exercícios de formação de palavras e exploração de sílabas contribuíram para o fortalecimento da língua Iny Rybè e da Língua Portuguesa, ampliando habilidades de leitura, escrita e vocabulário dos estudantes.
A literatura e as narrativas tradicionais também tiveram espaço na oficina “Trilhas dos Saberes: do cordel à
antologia poética”, conduzida pelas mestrandas, Áurea Sampaio e Adriana Rufo, sob orientação também da professora, Marcilene Araujo.
A atividade envolveu estudantes da Escola Indígena Watakuri em práticas de leitura, produção textual e compartilhamento de conhecimentos transmitidos pelos mais velhos da comunidade. Os participantes produziram poemas e textos inspirados em suas histórias e vivências, valorizando a oralidade como elemento fundamental da cultura Iny.
Outra ação desenvolvida foi a oficina “A Copa nos Uniu: vivência comunitária e intercultural na aldeia Boa Esperança”, conduzida pela mestranda, Elisângela Mantelli, também sob orientação da professora Marcilene Araujo. Utilizando o esporte como ferramenta educativa, a atividade promoveu reflexões sobre convivência, trabalho em equipe, respeito às diferenças e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Encerrando a programação, as professoras, Ma. Sofia Mara e Drª Marcilene Araujo, apresentaram a oficina “Teclado Iny Rybè: solução tecnológica para preservação da língua e cultura do povo Javaé”. A iniciativa demonstrou o funcionamento da ferramenta desenvolvida para ampliar o uso da língua indígena em ambientes digitais, favorecendo a produção de conteúdos escritos, materiais pedagógicos e registros linguísticos.
A atividade também destacou o protagonismo indígena na construção de soluções tecnológicas voltadas à preservação de sua própria cultura.
Ao reunir educação, pesquisa, inovação tecnológica e conhecimentos tradicionais, as atividades evidenciaram a importância do diálogo intercultural na valorização da diversidade linguística e cultural dos povos indígenas do Tocantins.
Fotos; arquivo pessoal