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06 de Março de 2026
Mulheres pesquisadoras têm desempenhado um papel fundamental na produção científica da Universidade de Gurupi - UnirG. Por meio de estudos que dialogam com a educação, a diversidade cultural e o desenvolvimento regional, elas demonstram que o conhecimento acadêmico, quando conectado à realidade social, pode ultrapassar os limites da sala de aula e gerar impactos concretos na comunidade.
A professora Drª Marcilene de Assis Alves Araujo é referência
na consolidação de pesquisas na UnirG, com atuação na área de Linguística e Educação. Ela desenvolve estudos voltados ao diálogo intercultural e à valorização dos saberes de povos tradicionais, promovendo uma ciência construída a partir das realidades locais.
Sua produção científica defende uma educação que reconhece a diversidade linguística e cultural da região, contribuindo para práticas pedagógicas mais inclusivas e socialmente comprometidas. Essa perspectiva está presente nas ações do Observatório de Povos Tradicionais do Tocantins (OPTTINS), grupo de pesquisa da Instituição dedicado à produção e à sistematização de conhecimentos sobre povos originários do Estado, coordenado pela Dra Marcilene.
“Ao reconhecer as línguas, as tradições e os conhecimentos locais, é possível desenvolver propostas educativas que respeitem as identidades culturais e promovam maior autonomia para esses povos”, disse a pesquisadora. Ela ainda fala que o compromisso da Universidade com “a valorização da pluralidade cultural do país, contribui para a construção de uma sociedade inclusiva e respeitosa às diferentes formas de viver e produzir conhecimento”.
Como pesquisadora e docente, ela deixa uma mensagem para mulheres que desejam seguir na área da pesquisa. “A carreira acadêmica pode ser um caminho desafiador, mas também profundamente transformador. Ao ocupar esses espaços, as mulheres ampliam possibilidades, constroem novas referências e estimulam outras a também trilhar esse caminho. Que cada jovem mulher possa reconhecer seu valor e compreender que sua presença na ciência não é apenas importante, mas necessária para a construção de uma universidade mais diversa, plural e comprometida com os desafios da sociedade”, declarou Araujo.
Mulheres que impulsionam a ciência e o desenvolvimento regional
Em diferentes áreas do conhecimento, mulheres pesquisadoras têm ampliado o alcance da ciência produzida na Universidade. É o caso da professora Drª Joyce Karoline Pontes, que reúne um amplo currículo com formações em Jornalismo e Ciências Contábeis, e evidencia o potencial da interdisciplinaridade na produção científica.
“Sempre enxerguei o Jornalismo como ferramenta de
cidadania. Posteriormente cursei Ciências Contábeis, buscando ampliar minha compreensão sobre gestão, políticas públicas e sustentabilidade financeira de projetos sociais e educacionais”, disse Pontes.
As pesquisas da professora buscam aplicar o conhecimento em benefício da comunidade, a partir de demandas concretas como a formação de docentes indígenas, letramento digital, combate à desinformação, educação midiática e desenvolvimento regional.
“Quando a Universidade sai dos muros e dialoga com escolas, associações, comunidades tradicionais e órgãos públicos, o conhecimento se converte em ação social”.
Entre as diversas ações que ela desenvolveu estão as iniciativas de formação em letramento digital no sistema prisional do Tocantins, na qual possui vasta experiência, além de oficinas de educação midiática para estudantes do ensino médio e projetos de capacitação tecnológica para populações em vulnerabilidade social. “Essas iniciativas resultaram em inclusão digital, empregabilidade e pensamento crítico”, disse a docente.
Para Joyce, representatividade e apoio podem incentivar ainda mais mulheres a seguirem carreiras acadêmicas, “Quando as jovens veem outras mulheres ocupando espaços acadêmicos, percebem que também podem chegar lá. A pesquisa precisa do olhar sensível, crítico e transformador das mulheres”, concluiu.
Mulheres que transformam cuidado em ciência
A ciência também se constrói a partir do cuidado. A mestranda e docente Kelry Raianny Aguiar é formada em Odontologia pela UnirG e desenvolve uma pesquisa voltada
à saúde infantil, investigando fatores que influenciam o desenvolvimento respiratório na primeira infância.
Na prática, o estudo é realizado com crianças na primeira infância em instituições de educação infantil do município, envolvendo também seus pais ou responsáveis, com questionários voltados aos hábitos de sono das crianças e à identificação de possíveis sinais de respiração bucal.
“Esse tipo de pesquisa ajuda a trazer mais consciência sobre a importância dos cuidados na primeira infância. Muitas vezes, hábitos que parecem simples, podem influenciar seu desenvolvimento ao longo do tempo”, disse Kelry.
A mestranda fala com satisfação sobre o desenvolvimento da sua trajetória acadêmica e conciliação com a vida pessoal e profissional. “É muito gratificante poder contribuir com a produção de conhecimento e com a comunidade, mostrando que é possível construir esse caminho na ciência sem deixar de lado aquilo que também nos define como mulheres”, afirmou.
Ela também relatou dúvidas e inseguranças ao conciliar múltiplas responsabilidades. “O apoio da família, de professores, colegas e também de outras mulheres fez muita diferença. Ter pessoas que compreendem esses desafios e incentivam nossa caminhada fortalece e dá segurança para continuar seguindo em frente”, declarou a docente.
Para Kelry, quando mais mulheres participam da ciência, tudo se transforma ao redor. “Ampliamos as perspectivas, enriquecemos as pesquisas e aproximamos ainda mais o conhecimento da realidade das pessoas”, concluiu.
Neste Dia Internacional da Mulher, a homenagem é dedicada a todas as mulheres que transformam pesquisa em impacto social e ciência em instrumento de transformação.
Nathália Costa - Ascom UnirG